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Você já teve a sensação de ter caído em uma pegadinha?

Quando fui ao supermercado no último sábado de manhã eu tive a nítida certeza de estar sendo vigiada por câmeras escondidas.

Antes de entrar no supermercado, ainda no estacionamento, me deparei com um objeto caído no chão, bem no meu caminho. Não tinha como não ver. Era uma carteira capciosamente abandonada e escancarada no chão. Ela estava de um jeito tal que dava pra ver o moooonte de notas de R$100,00 dentro dela. Era óbvio que era pegadinha pra saber se eu ia devolver ou não.

Olhei em volta e não vi ninguém. Peguei a carteira pra procurar por alguma identificação do dono dela.

Mas ela estava tão cheia de dinheiro e cartões que era difícil de fazer uma busca sem deixar tudo cair no chão. Fiquei tão desconcertada com o montante de dinheiro que num ato instintivo, como se estivesse protegendo algo meu, coloquei-a na minha bolsa.

Foi neste exato momento que eu tive a nítida sensação de que um repórter com uma câmera do Faustão ou do Fantástico saltaria de trás de uma lixeira gritando: “A-há, te peguei!!!! Era pegadinha!”.

Só que não.

Já dentro do supermercado voltei a vasculhar a carteira e consegui achar uma pilha de cartões de visita. Bingo! Agora é só ligar pra ele. Só que no cartão as únicas informações de contato eram um telefone em Miami e um e-mail. Só.

E que eu já estava mega atrasada pra montar a decoração da festa de mais uma cliente, ainda tinha mais esse pepino pra resolver.

Resolvi delegar a tarefa.

Liguei pra casa e passei os dados do cartão de visitas pra que o meu marido enviasse um e-mail avisando ao dono  da carteira que ela estava comigo e pra saber como eu poderia devolvê-la.

Nem considerei deixar a carteira na gerência do supermercado, pois quem me garantiria que o conteúdo seria entregue intacto ao dono? Minha ideia era deixar o meu contato com a gerência no caso de alguém aparecer procurando a carteira.

Pronto, eu já tinha um plano de ação em execução e fui às compras. Peguei o que eu precisava e fui pro caixa. E na sequência eu iria procurar a gerência pra deixar o meu contato.

Quando estava na fila pra pagar eu percebi um senhor conversando com os funcionários do supermercado com aquele típico comportamento de quem perdeu alguma coisa, sabe,  tateando os bolsos (como se a carteira fosse reaparecer ali) e olhando o chão em volta.

Ainda da fila do caixa (pra não perder meu lugar, claro), acenei pra ele e perguntei: “O senhor está procurando alguma coisa?”

Ele arregalou os olhos, esticou o pescoço na minha direção que nem cachorro que fareja uma salsicha e disse: “Sim, minha carteira!!!” (ainda tateando os bolsos).

“Qual é o seu nome?” (Não sou boba de entregar aquele dinheiro todo pra pessoa errada, né!).

“Fulano.”

“Tá aqui comigo, ó!”

Aí ele relaxou e desabou da tensão. Se atravessou por cima do balcão do caixa pra pegar a carteira e me tascou um beijo na bochecha todo agradecido. E todo o supermercado olhando. Ô beleza!

Ele estava tão feliz e satisfeito que deu a volta no caixa e parou do meu lado querendo pagar a minhas compras (2 sanduíches, 2 garrafinhas de água e um chocolate pra eu levar de lanche na montagem da festa).

“Não, nem pensar! É pouquinha coisa que eu estou comprando.” (pena que não era o rancho do mês, rsrsrsrs…).

Foi então que ele tirou uma das muitas notas de R$100,00 da carteira recém recuperada e disse: “Então isso deve pagar tudo, né?”.

Eu não ia ficar ali discutindo misérias (sim, porque pra ele aquele valor nem era nada), já tava todo mundo olhando sem entender nada, e aceitei o dinheiro.

Me senti toda orgulhosa de ter ajudao.
A heroína do dia!

Tudo muito bom, vida que segue, com 100 pila a mais e vamos em frente.

E não é que o cara voltou pra continuar agradecendo? Me entregou o cartão de visitas dele e me disse o seguinte:

“Toma o meu cartão. Eu moro em Miami e se algum dia precisares de alguma coisa nos Estados Unidos me procura! Qualquer coisa, viu! Muuuuuito obrigado!”

Eu agradeci a gentileza e ele seguiu o rumo dele feliz da vida.

Agora sim, vida que segue com 100 pila a mais e com um novo amigo em Miami!!!

Ganhei o meu dia!!!

E não por causa dos R$100,00 ou do novo amigo em Miami, mas porque eu ajudei alguém que estava precisando muito de mim.

Acabei dando sorte de encontrar o dono da carteira ainda no supermercado, mas eu já tinha alguns planos traçados pra encontra-lo:

– De casa o meu marido já tinha encontrado o cara no Facebook e também enviado um e-mail para o endereço que estava no cartão.

– Se isso não desse certo, eu pediria a uma amiga que mora em Miami pra ligar para o número de telefone que estava no cartão e entrar em contato com ele.

De um jeito ou de outro eu teria feito a carteira encontrar o seu dono.

Tá, e o que isso tudo tem a ver com vendas, Clarissa?

Tudo! Vou te mostrar onde eu quero chegar com isso. Lembra do papo do último post sobre o seu produto resolver o problema de alguém? Pois então, agora que você já descobriu o problema que o seu produto resolve você precisa procurar as pessoas que precisam da sua solução.

Faz parte do seu trabalho como empreendedor ir atrás destas pessoas e SERVIR À PROCURA deles.

Isto estava lá na definição de marketing do primeiro post desta série, lembra?

 

Servir à procura

Não pense que porque você criou uma fanpage no Facebook e tem uma conta no Instagram mostrando o seu trabalho maravilhoso que as pessoas vão magicamente te encontrar em meio ao turbilhão de conteúdos da internet.

Se você acha que só isso basta está redondamente, elipticamente e retangularmente enganado. A internet não vai resolver os seus problemas se você não souber usá-la.

E é aqui que a história da carteira se encaixa pra você entender o meu ponto de vista sobre servir à procura.

Na saga da carteira você percebeu que eu fiz de tudo pra encontrar o dono dela, certo? O cara estava com um problema, eu tinha a solução e eu quis me certificar de que ele iria receber a carteira intacta então eu fiz de tudo pra alcança-lo.

Eu busquei, encontrei, articulei e no final cumpri minha missão. Eu fiquei feliz, ele ficou feliz e ainda ficou eternamente grato pela minha atitude.

Agora imagina se a carteira fosse um produto que eu tivesse pra vender.

E eu sei que tem alguém por aí desesperadamente procurando algo bacana como o meu produto pra dar de presente pra alguém. Eu sei que esta pessoa está por aí e sei de algumas maneiras que eu posso me conectar com ela.

E mesmo de posse destas informações eu tenho a brilhante ideia de facilitar a vida de todo mundo e resolvo publicar os meus produtos em uma rede social: “Pronto, agora quem precisar do meu produto vai me achar fácil!”

Não, meu caro Watson!

Esta atitude preguiçosa seria a mesma de que se eu tivesse deixado a carteira do cara com algum dos funcionários do supermercado achando que estava fazendo uma grande coisa. Do tipo “fiz a minha parte”.

É pouco, né? Bem pouco.

Se você sabe que pode ajudar alguém e não o faz ou então faz muito pouco pra ajudar, eu diria que este é um bom motivo pra você se sentir ENVERGONHADO.

#Prontofalei!

Eu diria que é o mesmo que ver um velhinho cair no chão e achar que está ajudando muito só por perguntar se está tudo bem com ele ao invés de ajuda-lo a se levantar e juntar as sacolas dele do chão. É MUITO POUCO, entende? Você poderia e deveria ter feito mais. Que vergonha…

Pra demonstrar que você se importa genuinamente com o problema de alguém não basta só oferecer ajuda, isso é o básico, é a sua obrigação. Você precisa fazer mais!

Então não se limite apenas a publicar algumas fotos dos seus produtos na internet. A quem você acha que está ajudando com esta solução? Nem a você, nem ao seu negócio, nem ao seu possível cliente e nem a ninguém.

Entende que isto é pouco? Aliás, é beeeem pouquinho.

Pense nisso.

Quando você encontrar as pessoas certas, que realmente se interessam pelo o que você faz além de elas te darem dinheiro pelo seu trabalho estas pessoas serão eternamente agradecidas por você ter ajudado e vão querer te ajudar também.

É assim que a gente ganha fãs e não simples clientes. Já leu o post sobre isso? Então lê aqui ó.

O cara da carteira, por exemplo, demonstrou toda a gratidão dele me dando coisas que eu nem pedi em troca (dinheiro, beijo na bochecha e um amigo em Miami). O que eu quero que você perceba e reflita é que os produtos que você cria não se referem só a você e o quanto você pode ganhar com eles.

Os seus produtos devem ser encarados como o meio de conectar você (portador de uma solução) a pessoas que precisam do que você tem (sua ajuda).

Já tinha pensado sobre vendas desta forma? Vender seus produtos agora faz mais sentido pra você? Me conta aqui nos comentários ou por e-mail.

Os e-mails que estou recebendo estão uma diliça!!!! Muito obrigada!

Veja os outros posts da série:
Eu não sei vender! E agora? #1
Eu não sei vender! E agora? #2