Enquanto eu estou preparando um material ultrablaster fantástico sobre como dar preço aos produtos que você cria (qualquer tipo de arte ou artesanato maravilhoso saído da sua caixola), me ocorreu que eu deveria te antecipar um pedacinho deste conteúdo pra te fazer refletir um pouco nesse meio tempo.

Imagine o seguinte, hoje você decidiu sair pra jantar, mas não decidiu exatamente aonde você quer ir. Por isso você escolhe uma região da cidade onde tem restaurantes de todos os tipos, um do lado do outro pra você escolher a vontade.

Pra tomar a sua decisão você vai parando na frente de todos os restaurante pra ler o cardápio disponível na porta de cada um deles, sem precisar entrar pra dar uma bisolhada (o que é muito comum em outros países, aqui nem tanto).

Se depois desta olhada rápida pelos cardápios, eu te perguntar qual impressão você teve dos restaurantes, eu tenho certeza que você é capaz de me dar uma lista bem detalhada de conclusões de cada um deles só de ter lido seus cardápios.

Duvida? Olha só.

Restaurante número 01
Este primeiro tem pratos com preços de R$10,00 (eu nem chamaria de restaurante, no máximo uma lancheria ou “pé sujo” mesmo). Por este preço não é difícil imaginar que a comida e/ou serviço não sejam de qualidade. Você inclusive consegue visualizar aquele cozinheiro gordo e suado com uma caneta atrás da orelha tirando as batatas fritas feitas no óleo usado desde ontem e que deixam aquele “perfume” característico de gordura por todo ambiente.

Ambiente este que não deve primar pelo asseio e limpeza. Aiii… E quando você volta pra casa leva de recordação aquele mesmo perfuminho agradável na sua roupa. Deve ser estratégia de marketing do lugar pra que você continue lembrando dele por um bom ainda. Arghhh!!!

Restaurante número 02
Já o segundo tem pratos de R$30,00 a R$60,00, então você imagina que eles devam ter serviços melhores, um ambiente mais agradável e provavelmente uma comida mais caprichada. Você vai se sentar mais confortavelmente, é provável que nem escute a movimentação da cozinha e que o cheiro da comida fique lá mesmo quando você for embora.

Aqui é mais provável que o custo benefício seja bem interessante. Só falta experimentar se ele cumpre o que promete.

Restaurante número 03

Este é mais fácil ainda. Ele consegue gritar com toda elegância do mundo “Eu não sou pro seu bico!” (tô brincando!) Um prato com este preço indica que o chef deve ser um profissional renomado, que os ingredientes são de alta qualidade e que você não pode entrar vestido com a roupa que você vai à feira.

E o ambiente deve ser fan-tás-ti-co! Certamente o chef vai dar uma passada pelo salão pra saber se está tudo ok com o serviço e o avental dele vai estar impecável. Eles se preocupam com o bem estar dos clientes. É um lugar que não se vai todo dia e talvez ele seja o seu escolhido pra quando você quiser se sentir especial.

O fabuloso cérebro humano

Percebeu como o nosso fabuloso cérebro cria uma história própria pra cada um dos exemplos com pouquíssimas informações? Você nem experimentou nada, nem entrou pra conferir e já tem um monte de conclusões sobre o lugar, a comida, o serviço e qual tipo de experiência vai ter durante e também depois de sair de lá.

Eu inclusive consegui ouvir a barulheira, a conversa alta e a correria de pratos do restaurante número 1. E também ouvi a música ambiente suave o toque gostoso da toalha no restaurante número 3. Você não?

Este tipo de associação é inevitável. O nosso cérebro liga os pontos entre experiências anteriores que já tivemos e cria esse monte de histórias sozinho, sem a gente nem pedir pra ele fazer isso (já comentei um pouco sobre esse mecanismo no post sobre como escolher o nome da sua empresa).

Agora eu te proponho dar uma bagunçada nestes cenários

E se o restaurante que costuma ter pratos de R$100,00 passasse a oferecer os mesmos pratos a R$10,00?

E se o que tem cara de “pé sujo” passasse a cobrar R$100,00 por um lanche?

O que você diria para o chef e para o gorducho lá da cozinha nestes dois casos?

A primeira coisa que você pensa é que tem alguma coisa errada, e que tá tudo fora de lugar. Os preços estão dizendo uma coisa, mas o ambiente e o serviço te contam uma história totalmente diferente.

Para o “pé sujo” com preço de restaurante bacana você vai dizer que o dono está louco e que deve ter pirado na batatinha de tanto cheirar gordura saturada.

E no restaurante de bacana talvez você nem entrasse achando que tem coisa errada, que eles devem estar servindo comida vencida pra poder cobrar tão pouco. Mas se você chegar a experimentar os pratos é possível que você não resista à tentação de dar um toque de amigo pro chef: “olha só, eu acho que você deveria cobrar bem mais pelos seus pratos, esses preços não condizem com a qualidade deles.” (até parece que ele precisa de alguém que diga isso, né, mas pra efeitos do exercício tá valendo).

É como quando a gente vê um produto com o preço baixo demais e com uma promessa de valor muito grande, é desproporcional, certo? A gente logo desconfia e o primeiro pensamento é: “Ihhh… não sei, não. Coisa boa não é!”

Os preços falam, e muito!

E eles falam mesmo, não estão nem aí pra ninguém. Mas você precisa ter o controle sobre a história que eles andam contando por aí.

Afinal de contas, ELES FORAM UMA DECISÃO SUA E CABE A VOCÊ DOMAR ESTA SITUAÇÃO.

Ninguém quer passar a impressão errada, certo?

E pra não ter um trabalho dobrado pra mudar uma primeira impressão ruim, é melhor que os seus preços e os seus produtos estejam de acordo entre eles e contem a história certa sobre você e o seu negócio. E você vai mediar o acordo entre eles como um advogado de conciliação, entendeu?

“Tá, mas eu só quero saber como aumentar os meus preços!”

Calma, uma coisa de cada vez. O que eu quero te dizer com esta conversa toda é que você precisa perceber a importância de ter todos os elementos de um negócio conversando entre si. Eles precisam ser coerentes. Quando algo não bate o cliente fica confuso e desconfiado.

E CLIENTE CONFUSO E DESCONFIADO NÃO COMPRA!

Eu já entendi que uma das suas maiores aflições é saber se deve ou não aumentar os seus preços. Todo mundo que trabalha com arte já teve longas noites de insônia por causa disso.

As várias fórmulas que se encontram por aí na internet somando e multiplicando custos, lucros e salários pra definir o preço das suas peças, são só um ponto de partida, é preciso um pouco mais de informações. Nestas fórmulas falta aquilo que não é tangível.

Por exemplo, hoje você cobra R$50,00 por uma das suas exclusivas garrafas decoradas, mas gostaria de aumentar para R$120,00.

Ok, certamente o seu trabalho vale tudo isso, mas saiba que as pessoas vão esperar mais de você do que quando cobrava R$50,00. O seu site tem que ser bacana, a embalagem tem que ser caprichada e o seu atendimento antes, durante e depois da compra devem estar de acordo com o seu novo preço.

O preço faz parte de um pacote bem maior. Deu pra entender?

Pra ganhar dinheiro de verdade com a sua arte

Pra isso será necessário que você avalie estes aspectos do seu negócio e invista um pouco mais de atenção nestas melhorias. Eu te garanto que elas fazem a diferença e que valem a pena.

E aí eu te pergunto:

O QUANTO VOCÊ ESTÁ DISPOSTO A FAZER O SEU NEGÓCIO DAR CERTO?

Se a sua resposta for “MUITO!”, vai por mim, tenho certeza que você vai conseguir colocar cada coisa em seu lugar e ter todos os seus produtos conversando com os seus preços e também com o seu site e o seu serviço como se fossem velhos amigos.

Lembre-se:

O que é difícil não é impossível.

E tudo o que é difícil depende da sua vontade e empenho pra que dê certo.

E agora me diz, que história a sua marca, os seus produtos, o seu site, as suas embalagens, a sua comunicação e os seus preços estão contando?

Se você ainda não tem um negócio estas perguntas também valem. Que história você quer que as pessoas contem pra si mesmas quando olham a sua marca, seus produtos e seus preços? Quais as sensações você quer que elas tenham logo de cara?

Pensa aí. Se precisar me pede ajuda, ok?

E se você está ansioso pra saber como aumentar os seus preços segura a onda, estou preparando um material fabuloso pra você. Deixe o seu nome e e-mail aqui em baixo e aguarde as notícias!