Sabe o filme “Vida de inseto”? Tem uma cena que eu adoro das formigas todas organizadinhas em fila, cada uma carregando a sua porção de comida para o formigueiro e eis que de repente uma folha de árvore cai no chão interrompendo o caminho delas. Isto é o suficiente para gerar caos e pânico total na ordem estabelecida.

E é bem isso mesmo que acontece no mundo real. Qualquer hora dessas experimente interromper o caminho de alguma tchurma de formigas pra ver o tumulto que se forma na frente do bloqueio. Até elas se organizarem de novo e voltarem para o seu caminho leva um tempinho, mas tudo sempre volta a mais perfeita ordem.

Pois então, foi assim que eu andei me sentindo nas últimas semanas, bloqueada, desorientada e perdida. Tinha caído uma folha no meu caminho.

Parei, me desviei e empaquei.

Nos últimos 3 meses muitas coisas aconteceram que me fizeram desviar do meu caminho. Acontecimentos maravilhosos, por sinal.

1. Tive uma sequência louca de festas pra entregar (pra quem ainda não sabe eu tenho uma empresa de decoração de festas que eu amo!)

2. Minhas 2 irmãs tiveram bebês lindaaaaaas que eu não canso de afofar e largo qualquer coisa pra ficar com elas.

3. O surgimento de um incrível salão de beleza que caiu no meu colo e do meu namorido quase como num passe de mágica. Assim, de repente, de uma hora pra outra viramos sócios de um salão de beleza super bacana aqui em Porto Alegre e meio que sem querer querendo eu acabei assumindo a parte de marketing e divulgação do negócio.

MÉO DÉOS!!! Tudo muito intenso. Eu fui indo, fui topando tudo, me virando, me transformando, girando a chave e trocando o software pra me virar em muitas e abraçar tudo. Entre uma festa e outra arranjei tempo pra dar uma força para a família com a chegada das pequenas e afofar móóóóóinto as minhas sobrinhas (o que nem foi difícil).

Mas a chegada do salão de beleza na minha vida é que foi a verdadeira “folha” no meu caminho. De uma hora pra outra precisei me concentrar só na “folha” e ela passou a ser a minha nova prioridade.

Uma prioridade tentadora, diga-se de passagem. Poderia ser muito divertida e desafiadora, mas essa folha caiu no meu caminho no momento errado, coitada – de mim, né!

Ela caiu num momento em que eu estava me munindo de energias pra fazer algo com um propósito maior e que eu estava amando fazer: dividir minhas experiências e descobertas com pessoas criativas que, assim como eu fiz, querem transformar sua paixão em negócio sem muito mi-mi-mi nem churumelas.

E esta folha linda, vistosa e tentadora fez um corte brutal no meu caminho. Pra me dedicar a ela tive que dizer não para algumas clientes de festas e o projeto Fim do Mi-mi-mi ficou às moscas.
Cri…cri…cri…

Foi aí que deu tilt.

Eu me vi trocando os meus objetivos, mudando a minha rotina, o meu estilo de vestir e até a cor do meu cabelo (pois é, ele não tem mais as mechas pink que eu estava gostando tanto…) pra me encaixar nessa realidade nova.

Assim como as formiguinhas eu tive o caminho interrompido, minha identidade decaptada (aaaai, que dramalhão!) e fiquei desorientada sem saber o que fazer. Minhas opções:
1. Me dedicar exclusivamente a nova realidade (a folha, ou melhor, o salão).
2. Carregar a folha junto pelo caminho antigo (tomar conta do salão e tocar meus projetos ao mesmo tempo)
3. Simplesmente contornar a folha e retomar o caminho antigo (deixar o salão de lado e retomar meus projetos).

Dúvidas, muitas dúvidas! Então eu paralisei.

Me senti inútil e incapaz de tomar uma decisão. Além de não saber qual a melhor solução, passei a duvidar da minha capacidade de ter sucesso em qualquer uma delas. Eu me tornei a própria encarnação do mi-mi-mi em pessoa (que ironia, hein!).

Qualquer um diria: “Assume o salão, guria, óbvio!”. Olhando racionalmente, realmente era a única escolha possível. Só que não, A GENTE SEMPRE TEM ESCOLHA.

Pensamento positivo não adianta nada (sozinho pelo menos não).

Eu fiquei empacada, triste e frustrada. Andava realmente sem ânimo pra escolher e assumir de vez qualquer um dos caminhos possíveis (e ainda surgiram opções de novos caminhos nesse meio tempo pra me deixar ainda mais atrapalhada) e passei uns dias bem pra baixo, feito zumbi me arrastando entre uma atividade e outra.

Tentava pensar em coisas boas, em como era legal ter várias opções legais de caminhos a escolher, mas nada me animava de fato.

E foi me sentindo assim perdida, dia sim, dia não, dia sim e outro também, que resolvi buscar alguma inspiração pra sair do buraco. Vasculhando na internet, lendo e ouvindo pessoas que me inspiram, eu conheci o trabalho da Ana Saad. Ela tem uma ONG que ajuda pessoas com depressão a se entenderem melhor (não, eu não estou com depressão, não cheguei a tanto, viu!).

Em um de seus vídeos, dentre muitas coisas bacanas que ela fala, ela diz que PENSAMENTO POSITIVO NÃO ADIANTA PORRA NENHUMA (com estas palavras mesmo). E se você está se sentindo desorientada e com a auto estima muito baixa, forçar um pensamento positivo a entrar na sua caixola, é como tentar se convencer que um brigadeiro é ruim – impossível, né! Soa falso e parece só mais uma história pra boi dormir.

E eu concordo totalmente. Qualquer pensamento positivo que eu tentasse enfiar na cabeça, coisas do tipo “vai lá, você pode, você é capaz, etc, etc”, parecia tudo papo furado, não tinha efeito nenhum. Tem momentos na vida da gente que nem todas as Polianas do mundo, com todos os seus pensamentos positivos, seriam capazes de te fazer desligar o Discovery Home & Health e fazer alguma coisa útil, né?

A Ana Saad não me deu a solução definitiva que eu procurava, mas ela me fez entender o porque de eu estar me sentindo mal, o que já é o primeiro passo pra fazer a gente sair daquele “quentinho da bosta” (palavras dela, rsrsrsrsrsr…). O resto tinha que ser comigo. Aí que a porca torce o rabo…

Decidi tomar uma atitude, e só precisava de um pequeno detalhe, resolver qual…

No dia seguinte depois de assistir os vídeos da Ana e descobrir as possíveis razões do meu desconforto, resolvi ir pra academia mexer o corpo e liberar um pouco de endorfina na mente pra me fazer pensar melhor.

Tá aí uma coisa que eu suuuuuper recomendo, mexa o corpo! A mente não consegue pensar claramente quando a gente está com a bunda afundada no sofá.

QUEM GOSTA DE COISA PARADA É MOSQUITO DA DENGUE!
Bora se livrar desta energia parada!

Então eu me muni de todo o ânimo que eu encontrei num sábado de manhã e me arrastei pra academia ouvindo o podcast de uma coach americana que eu adoro e sempre me inspira. Entre uma dica e outra de marketing eis que me lembrei de um recurso que eu já indiquei pra muita gente usar e que estava esquecido entre os meus arquivos, a minha LISTA DE CONQUISTAS.

Tudo o que eu precisava pra me animar já estava lá.

Coisas que eu já fiz, que eu conquistei, coisas que eu resolvi sozinha, coisas que comprovavam o quanto eu estava progredindo nos meus projetos, estavam todas lá ao alcance da minha mão.

Pra quem não sabe, eu já falei sobre esta lista em algum outro post (já nem me lembro qual). Eu mantenho uma nota no Evernote (poderia ser um arquivo de Word, Excel, num caderninho, etc.) onde eu listo uma série de conquistas que eu atingi desde que eu comecei o projeto Fim do Mi-mi-mi.

Esta lista tem desde o dia em que eu coloquei o site no ar, o primeiro e-mail que eu recebi de uma leitora pedindo ajuda, todas as pessoas que eu admiro e que me “enxergaram” no instagram e que passaram a curtir o meu perfil, o dia em que eu perdi o medo e finalmente fiz minha primeira transmissão ao vivo no Periscope, enfim, tudo o que me coloca um passo mais a frente em direção aonde quero chegar eu anoto lá.

E hoje esta lista acaba de me salvar do perigoso e turbulento mar do “EU NÃO SIRVO PRA NADA!!!!”. Ela me fez lembrar aquilo que me move e de como eu me senti em cada um daqueles momentos da minha lista. Foram pequenas conquistas ainda, mas o conjunto delas é poderoso. Foi aí que eu me senti entusiasmada de novo.

Não duvide dos fatos.

Foi a minha lista de fatos que me disse que eu estava sim no caminho certo e conseguindo tocar as pessoas com o que eu faço e que eu não posso desistir agora. Aliás, eu mal comecei!!

E estes registros tão simples que podem te salvar naqueles períodos em que você resolve se questionar se está fazendo a coisa certa e se um dia o sucesso vai mesmo chegar.

E pra ir do desânimo à decisão de desistir é muito fácil. O desânimo e a desistência são vizinhas bem perigosas. Desistir é o que as pessoas esperam que a gente faça, e não é por mal. Seria muito bom ter sempre o apoio das pessoas que você gosta pra conseguir enfrentar as dificuldades de conquistar os seus sonhos mais malucos, mas o que acontece é que as pessoas na nossa volta não querem que a gente mude. Elas querem que a gente continue sendo do jeito como a gente sempre foi, sem mudar nada.

E pra se conquistar os sonhos mais loucos muitas mudanças precisam acontecer. E nem as pessoas na nossa volta e nem o nosso próprio corpo se sentem confortáveis com mudanças, mesmo que elas sejam pra melhor.

Mudar causa medo, desconforto, mudar às vezes dói, mas se você não fizer o movimento pra mudar, tudo vai ficar como está.

Por isso é importante você se apoiar em coisas concretas. Os itens da sua lista de conquistas, por exemplo, eles são a prova de que você pode fazer muita coisa bacana. E fatos são fatos, eles não mentem.

E além dos fatos, contar com pessoas que estejam buscando as mesmas coisas que você é fundamental. Eu estou aqui pra te ouvir e ajudar no que eu puder e até já estou matutando aqui na minha caixola o que fazer pra te apresentar pra mais gente como nós. Segura aí!

Mexa-se!

E pra celebrar o ano que acabou de chegar, que tal dar um fim nesse mi-mi-mi todo e começar o ano lembrando de todas as pequenas conquistas do ano que passou? Coloca nela a sua primeira venda, a criação da sua marca, a publicação do seu primeiro post na sua nova página no Facebook ou Instagram, a primeira curtida (da mãe não conta!), o elogio ao seu trabalho de alguém que você admira, etc. Não precisa descrever nada, é só uma lista simples e rápida.

Anote tudo, não deixe só na cabeça. Eu mesma não lembrava da metade dos fatos da minha lista e quando eu reli cada um deles foi o máximo!

Agora que eu abri meu coração contando todas as minhas churumelas, meu momento mi-mi-mi e meu chororô, conta aí se você já passou por algo parecido e como fez pra levantar a cabeça de novo? A sua solução pode ajudar alguém também.

Ou então conte só pra mim por e-mail (eu leio e respondo todos!). Quero saber tudo!

Ah, e o salão? Está ótimo nas mãos do meu namorido e da nossa sócia. Eu ajudo quando posso.
E o cabelo rosa? Quem sabe ele volte em 2016, não sei… Será?