Escute este post aonde você quiser! É só clicar aqui em baixo:

 

Desde que eu me entendo por gente eu faço artesanato. Sempre adorei criar coisas coloridas com as minhas próprias mãos. Não me lembro de ter feito algum curso pra aprender qualquer coisa que fosse, acho que aprendi tudo com a minha mãe, mesmo. E também com a minha curiosidade de saber como é que as coisas eram feitas.

No colégio eu sempre fui super bem nas aulas de artes (acho que era a única matéria que eu dominava de verdade, rsrsrsrs…). Me lembro, inclusive, de às vezes ter que conter a minha criatividade pra não me sobressair da média da turma e não sofrer bulliyg dos colegas porque tinha feito demais. Pode um negócio desses?

Exageros à parte, eu me lembro de uma atividade em que a gente tinha que levar pra aula 3 produtos inusitados criados por nós mesmos usando sucata ou qualquer outro material disponível. Eu amei aquele tema de casa! Tanto é que lembro dele até hoje. E claro que eu fiz muito mais peças, levei umas 6 e queria ter feito mais.

E claro que teve gente que não levou coisa nenhuma e antes da aula esse pessoalzinho andava pelos corredores catando lixo pra montar qualquer coisa rapidinho. Eu juro que não tive nenhuma segunda intenção levando peças extras. Juro! Mas me beneficiei deste fato e acabei doando uma delas pro malandro mais gatinho da turma, que obviamente não se deu o trabalho de fazer a tarefa de casa. E o pior é que eu ainda tive que ouvir ele reclamando que a minha peça era “muito feminina pra ele”. Affff… Eu mereço mesmo! Eu me divirto!

Em uma outra fase da vida, no início da faculdade de arquitetura, eu estava num momento bordado ponto de cruz. Eu tinha coleções de revistas (já que a internet era quase inexistente na época) e uma caixa abarrotada de linhas separadas por cores que eu AMAVA, parecia um arco-íris (igual ao da foto deste post). Fiz muito ponto de cruz naquela época.

Mas pensa que alguém na faculdade sabia qual era a minha paixão? Nem em sonho! Até o meu namorado na época levou um tempo pra conhecer a minha paixão escondida.

 

Eu tinha vergonha!

Eu achava que as outras pessoas iam me achar meio besta, que isso era coisa de vovozinha, eu achava que ninguém ia me levar a sério. Eu queria ser cool, bacana e não a esquisitinha da turma.

Como é que alguém que usava camisetas de banda de rock e pintava o cabelo de vermelho em casa com papel crepom (EU!), podia fazer ponto cruz de ursinhos fofos escondido em casa? Não combina! Eu seria apontada como uma fraude! Rsrsrsrs…

Quaaaanta bobagem!!!
A gente quer ser aceito e ter nosso trabalho e nossas paixões valorizadas, mas nós somos os primeiros a nos esconder do mundo, a esconder a nossa essência. Não tem o menor cabimento.

Isso é pura insegurança.

Eu não sei se você passou por esse tipo de insegurança na sua vida, mas provavelmente ela deve ter aparecido (ou reaparecido) pra você nos dias de hoje, se não você não estaria lendo este post, eu imagino. Eu sei que tem alguma coisa que te deixa desconfortável ao falar sobre o seu trabalho e a sua paixão por artesanato, você só não sabe bem o porque.

Existe sim um preconceito sobre quem ganha a vida com a sua arte. As pessoas acham que você ganha pouco, que trabalha pouco (isso é um verdadeiro absurdo!) e não tem muito compromisso na vida. E por esses motivos você acha que todo mundo vai desvalorizar o seu trabalho e também te achar pouco interessante.

Só que tudo depende de como você se apresenta, como você se posiciona.

Se você é alguém que já está ganhando algum dinheiro com o seu trabalho manual, me diga como é que você responde a um estranho sobre o que você faz? Eu garanto que pra cada pessoa ou situação você responde uma coisa diferente, acertei? Eu também já fiz muito disso e confesso que às vezes eu ainda digo que sou arquiteta, mesmo já tendo largado tudo há uns 5 anos, só pra não dar muita explicação, é natural.

Mas existe uma forma de você causar interesse a quem quer que seja e se sentir perfeitamente seguro e confiante ao falar do seu trabalho craft. Quer ver?

 

Passo 01 – Defina o que faz o seu trabalho especial

Eu tenho certeza que o seu trabalho tem algo de diferente, algo de especial, algo que vai fazer você se destacar do resto. E não adianta dizer que ele não tem nada de especial porque tem sim, você é que não está olhando direito.

Mas se você acredita realmente que seu trabalho não tem nada demais, que é comum, porque raios você está querendo vender alguma coisa pra alguém? Continua com o seu hobby que eu te garanto que você vai ser mais feliz.

E se for difícil descobrir o seu “encanto” sozinho, pergunte para algumas pessoas o que elas mais gostam no seu trabalho. O que faz as pessoas comprarem de você e não de outras pessoas? O que prende a atenção do seu cliente no seu trabalho. E não seja muito vago ou abstrato aqui. Não adianta dizer que seu trabalho é lindo ou bem feito. O importante é saber porque ele é lindo e bem feito. O que o torna assim?

Quanto mais específico você puder ser, mais claramente o seu cliente vai perceber o quanto você é diferente de outros crafters. Avalie com atenção e guarde estas informações, pois vamos usá-las daqui a pouco.

 

Passo 02 – Descreva o seu “encanto” em palavras que façam sentido para o seu cliente

Um erro bem comum é descrever o seu produto de uma maneira que não interessa ao seu cliente, como com qual tipo específico de papel seu trabalho é feito ou qual a qualidade do metal que você usa para fazer suas bijus. Isso é importante, mas não num primeiro momento.

Quem quer conhecer o seu trabalho não tem que necessariamente saber que é muito importante que o papel que você usa seja acid-free, ou se o tecido de algodão tem um acabamento melhor para a confecção das suas bolsas. Isso precisa estar na descrição do seu produto, mas não na apresentação do seu trabalho. Não é isso o que importa para o seu cliente ou quem quer que seja.

As pessoas se interessam em saber qual benefício vão ter ao comprar o seu produto, se ele vai facilitar de alguma forma a vida deles, se vai fazer o cliente se sentir melhor com ele mesmo, se o seu trabalho vai trazer mais alegria pro ambiente ou se vai fazer as pessoas se sentirem mais bonitas ou felizes.

Numa primeira apresentação é este tipo de informação, de sensações e sentimentos, que geram o interesse sobre o seu trabalho e não o como ele é feito e com que materiais você trabalha. É seu dever traduzir as informações técnicas para algo que seja fácil de entender e que as pessoas se interessem em saber. Depois que você chegar a uma conclusão bacana sobre qual é o seu encanto e originalidade, é preciso comunicá-lo de forma clara.

 

Passo 03 – Foque no seu cliente e não em você mesmo

Tá aí uma coisa que muita gente confunde e por isso se sente desconfortável em falar do seu trabalho.

Falar sobre como o seu trabalho é incrível, não é falar sobre como VOCÊ é incrível.

Embora seu trabalho tenha muito de você, as pessoas não estão muito interessadas em saber sobre você e sim sobre o que o seu trabalho ou o seu produto pode fazer por eles, exatamente o que eu expliquei no passo anterior. E é claro que falar da gente mesmo vai ser sempre esquisito e desconfortável (tá, nem pra todo mundo, vai), mas não tem nada de esquisito e nem desconfortável falar sobre como o que você faz se encaixa na vida do seu cliente e de como isso torna a vida dele melhor de alguma forma.

Falar sobre o seu trabalho, sobre os seus produtos e o que você faz não é ter que convencer ninguém a comprar o seu produto. Você vai falar sobre como o seu trabalho é incrível para as pessoas que apreciam ou precisam do que você vende, porque os seus produtos trazem um benefício xyz para quem os compra. E isso não é desconfortável, né?

Entenda que você não está se auto-promovendo, está promovendo o que as pessoas vão amar sobre o seu trabalho, está promovendo como a vida do seu cliente vai se tornar mais alegre, mais colorida, mais prática ou mais interessante. Independente do que você faça, o seu trabalho está trazendo algum benefício para o seu cliente, do contrário, eu já te aviso, ninguém vai comprar.

 

Passo 04 – Pratique

Agora que você:
– já entendeu em que aspecto o seu trabalho é diferente dos outros
– já sabe o benefício que ele traz para os seu cliente
– aprendeu que falar sobre o seu trabalho não é falar sobre você

Agora é hora de escrever a nova definição do que você faz. Coloque no papel, faça alguns testes, converse com algumas pessoas pra ver o que elas acham e como você se sente ao falar sobre isso. No início pode ainda ser um pouco desconfortável, mas tudo é uma questão de prática. Repita sozinho, repita pro seu gato, pra sua mãe. Escreva várias vezes, deixe um post-it na geladeira, no seu mural de recados, na tela do seu computador.

É pra fazer isso tudo entrar na sua caixola mesmo, até fazer parte de você, até ser natural e deixar de ser desconfortável. E eu te garanto, fica tão mais fácil depois que você repetir “over and over again”. Você acostuma a ouvir, começa a internalizar, começa a se tornar real. Então deixa de ser estranho e desconfortável e passa a fazer parte do seu dia a dia falar naturalmente sobre o que você faz.

Assim como qualquer coisa na vida. A repetição nos torna melhores em tudo o que a gente faz.

Pratique a sua originalidade.

 

Passo 05 – Use isso a seu favor

E outra ótima forma de praticar é usar essa nova definição do que você faz no seu marketing, no seu material de vendas, no seu site, na descrição dos seus produtos, no seu perfil nas redes sociais. Onde você puder usar essa nova definição, use e abuse.

As pessoas vão perceber que você não faz só trabalhos manuais, tem muito mais coisas envolvidas no seu trabalho. Porque o seu trabalho é capaz de gerar um benefício para o seu cliente, você vende uma sensação, um bem estar. E isso chama a atenção de qualquer um.

É o que faz você se destacar dos outros.

Qualquer um pode vender um maxi colar feito de material reciclado usando a técnica xyz. Mas só você pode entregar algo que vai fazer sua cliente se sentir linda e confiante para uma reunião de trabalho usando uma peça sua e ainda contribuir para o meio ambiente. Eu sei que você pode ser muito mais criativo que esse exemplo, mas deu pra percebe a diferença?

Sem uma descrição memorável o seu trabalho se torna igual a qualquer outro.


Pense nisso.

E lembre-se, se você não conseguir se sentir confortável em falar sobre o que você faz, você não vai conseguir se manter neste negócio por muito tempo, isso é fato.

Então, bora por a mão na massa e encontrar o seu diferencial!

 

Tema de casa: crie uma nova descrição do seu trabalho hoje mesmo! Tem dúvida de como fazer isso? Deixe seu comentário pra eu poder te ajudar. O que não pode é você continuar a ser igual a todo mundo, né?